Após dois dias sem água, Alecrim suspende aulas

(Reportagem veiculada pela Globo em 24.08.17)

Conhecida pelo trabalho voluntário na Estrutural – região administrativa do Distrito Federal –, a Creche Alecrim está há dois dias com as portas fechadas por causa da falta de água. No último sábado (19), a cidade enfrentou o rodízio. A água deveria ter retornado às torneiras a partir de domingo, mas, até esta quinta (24), a instituição continuava sem o fornecimento.

O reservatório das caixas d’água conseguiu abastecer o local por dois dias. A água, no entanto, acabou e a creche se viu obrigada a suspender o acolhimento das crianças desde quarta-feira. A instituição, fundada há oito anos, abriga cerca de 90 meninos e meninas de 0 a 6 anos.

Segundo o cronograma do rodízio divulgado pela Companhia de Saneamento Ambiental do DF (Caesb), a região passou pelo desabastecimento no sábado e o corte de água, previsto para ocorrer na próxima sexta-feira (25), foi antecipado para esta terça.

Creche Alecrim, na Estrutural, atende cerca de 90 crianças com ajuda de doações (Foto: Luiza Garonce/G1)Creche Alecrim, na Estrutural, atende cerca de 90 crianças com ajuda de doações (Foto: Luiza Garonce/G1)

Creche Alecrim, na Estrutural, atende cerca de 90 crianças com ajuda de doações (Foto: Luiza Garonce/G1)

“A Caesb não avisou a gente com antecedência sobre o problema e, por isso, não conseguimos nos organizar. Ela não teve sensibilidade. Estamos com medo de ficar a semana inteira sem água”, disse a fundadora e coordenadora da creche, Maria de Jesus de Sousa.

Em nota publicada no site da Caesb, a antecipação ocorreu por causa das obras de transferência de água tratada do Sistema Santa Maria/Torto para o Descoberto, realizadas no último fim de semana. “O abastecimento está sendo normalizado desde o fim da noite de ontem [quarta], conforme o previsto”, informou a companhia.

Creche Alecrim

A instituição oferece quatro refeições por dia, preparadas pela própria equipe ou doadas por padarias e restaurantes parceiros. De segunda à sexta-feira, das 8h às 17h, voluntários desenvolvem atividades educativas e de lazer e ajudam na cozinha, limpeza e administração.

Voluntárias da Creche Alecrim, na Estrutural, trabalham na cozinha (Foto: Luiza Garonce/G1)Voluntárias da Creche Alecrim, na Estrutural, trabalham na cozinha (Foto: Luiza Garonce/G1)

Voluntárias da Creche Alecrim, na Estrutural, trabalham na cozinha (Foto: Luiza Garonce/G1)

Antes de abrir a creche – dentro da própria casa – Maria de Jesus foi catadora do lixão da Estrutural. Na época, há cerca de oito anos, a primeira filha dela nasceu com uma deficiência no coração e precisou ser operada na rede privada de saúde. “Meu marido tinha acabado de morrer de infarto e eu estava sozinha, sem ter de onde tirar dinheiro. Fui pro lixão.”

Segundo Maria, em oito dias ela conseguiu juntar R$ 6 mil com a ajuda de “todos os catadores”, que se sensibilizaram com a história dela – que carregava a menina no colo em meio às montanhas de lixo.

Depois da cirurgia, quando a filha estava em casa se recuperando, Maria começou a cuidar dos filhos de amigas que trabalhavam e não tinham creches onde deixá-los. “Foi assim que tomei gosto pela coisa e comecei a creche dentro da minha casa.”